Encontros com o mestre – Isso também existe.

Depois de um dia agitado, ele ficou até aliviado pelo mestre tê-lo levado em um lugar tão tranquilo.

Sobre os locais diferentes, já tinha passado da fase de se assustar, mas nunca deixou de se surpreender.

Era um sistema de três estrelas – incrível de olhar, porém mais deslumbrante ainda de pensar no equilíbrio da órbita daqueles três “sóis”.

Dá dor de cabeça só de pensar nesse equilíbrio, não é? Mas isso existe.

 

Algum tempo depois, estavam em frente a um castelo, de muita pompa e beleza.

Se aproximaram de um grupo de jovens, risos com não mais do que quinze anos.

Um deles exibia, de forma muito pomposa, uma cédula para os outros.

Além da foto do castelo que reluzia ao fundo, chamava atenção o valor zero estampado na cédula.

“Pagam para comprar essa cédula que nada vale. Mas isso existe.”

 

De repente, em outro lugar. Tudo branco.

“Gosto daqui, disse o mestre.”

“Ei, eu conheço essa bandeira… laranja, branco e verde… mas, neve?”

“Impressionante, não é?

Você pensaria em muitas coisas neste país, mas isso… não.

Mas isso existe.”

 

Então, chegaram em uma praça.

Não era exatamente uma praça, na verdade.

Parecia ser a área externa de uma igreja.

Uma igreja nos altos.

Dois idosos, sentados em bancos de cimento.

Ele, com as mãos sobre as pernas, uma expressão de tranquilidade no rosto.

Ela, comendo um cachorro quente, com um sorriso feliz.

Então, o mestre tocou no seu ombro – “sim, isso também existe.

A grandeza de Deus se revela de muitas formas.

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Crônicas da vida – a chuva do dia de São José

Hoje é dia 19 de março. Do ano de 2022.

Alguns não sabem, mas 19 de março é o dia de São José.

Para mim, filho e neto de cearenses, essa data sempre foi minha velha conhecida.

Meus parentes sempre falaram desta data.

Se chovesse no dia de São José, era garantia de safra boa.

Se não chovesse… a vida segue.

Meu pai faleceu nesta data, há cinco anos.

Para mim, foi como se não tivesse chovido no dia de São José.

Prenúncio de tempos difíceis, de chuva pouca, de colheita modesta.

Me lembrei que meu pai sempre me prometeu o sol se o sol saísse.

Que não há opção senão encarar a realidade como ela se apresenta.

Mas que ele estaria lá; não importando quanto de sucesso ou revés estivesse no meu caminho.

Mas tudo tem seu tempo determinado, e o tempo previsto para ele, expirou.

A constatação da orfandade é um momento muito difícil.

Lembro com saudade, sim, mas com muito respeito e admiração pelo meu pai.

Curioso, pois ele nunca pareceu correr atrás da admiração.

Meu pai viveu em absoluta conformidade com suas crenças, valores e vontades.

Isso é um privilégio para poucos, creio eu.

Fez o que pode, e ao não poder, não se lamentou.

Pelo menos, não comigo. 

Teve gente ao lado dele, sempre leal e presente – um privilégio para poucos, creio eu.

Mas até onde pude ver, não lamentou.

Fosse por limitações materiais ou pela firmeza de suas convicções.

Um “não”, não mata ninguém.

Entristece sim a quem o recebe, mas fortalece.

Ensina a achar caminhos, a abrir portas, a enfrentar batalhas, a vencer dificuldades.

Meu pai me ensinou a viver.

Me deu o sol nos dias em que o sol saiu.

Me proveu o que eu realmente precisava, dentro dos limites que ele podia.

Não fez todas as vontades, não satisfez todos os desejos, e eu tive que aceitar as limitações.

Não, não foi fácil na hora.

Mas ele fez o que pode – e se alguém o fez fazer algo que não quis, este alguém foram os filhos e netos.

Mas quando o limite chegava, seja por impossibilidade ou desejo pessoal, era respeitado.

Na minha meninice, com a tristeza da pouca visão juvenil; na vida adulta, com um respeito e admiração que o tempo nos traz.

E hoje, cada vez mais, com um respeito pelas escolhas dele.

Em muitos dias, em datas como esta, peço a Deus para encontrá-lo. 

Mas o anjo da guarda vem logo no meu ouvido e diz “explica que é em sonhos!

Sim, tem coisas que ainda não fiz. 

Ainda há feijão para plantar, ainda há feijão para colher.

O pai morreu dormindo, como acho que morrem os bons.

Isso é um privilégio para poucos, creio eu.

Então, Deus, mesmo que eu não entenda, obrigado por tudo.

Pelo que foi, pelo que é, pelo que será.

Pelo ano da safra modesta, pelo ano da safra abundante.

E viva São José, como gritariam os nordestinos.

Quem sabe, Deus, você escuta aí, e nos manda uma chuva boa.

De trabalhar, não temos medo!

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Diário de um mafioso – Molotovs, Antonovs e outros noves

Contexto histórico:

  • Em 24/02/2022, a Rússia invade a Ucrânia, iniciando uma guerra.
  • Em 07/03/2022, a Rússia destrói o maior avião do mundo, o Antonov AN-225.
  • Na edição atual do Big Brother Brasil, Arthur Aguiar, conhecido por trair a esposa várias vezes, cai nas graças do público.
  • Em 09/03/2022, em Planaltina (DF), um personal trainer flagrou a esposa tendo relações sexuais com um morador de rua, dentro do carro.

Sim, Cara de Gato, não vai dar para dissuadir o Putin… ele quer invadir a Ucrânia de qualquer jeito…

Poxa, chefe, guerra é sempre uma coisa ruim… movimenta os negócios, mas um monte de gente que não tem nada a ver acaba envolvida…

Pois é… se quem se machuca, está jogando bola, eu aceito… mas machucar o pessoal da arquibancada, não aceito mais essas coisas…

O senhor está ficando sentimental, chefe…

É, acho que está chegando a hora de parar… mas enquanto não chega, fala para o Putin que ele tem que esperar o final das Olimpíadas de Inverno na China.

Digo, mas o senhor pode me dizer por que?

Porque se ele não esperar, vai ficar difícil de intervir por lá para obter apoio, quando as sanções vierem…

Ok, falo sim, chefe. E o que mais?

Vamos alugar uns Belugas; veja com o pessoal do meio…

Beluga, chefe? Esse negócio de mover e criar baleia é um pesadelo de logística…

Não, Cara de Gato, não são as belugas; são os Belugas… aqueles aviões gigantes da AirBus…

Ué, para que, chefe?

O Putin já disse que vai detonar o Antonov… manda o pessoal rastrear todos os contratos de transporte que eles tinham, que a gente vai pegar todos eles… é aí que entram os Belugas, Cara de Gato.

Poxa, ele vai destruir aquele gigante…

Vai. Só pedi que seja no chão, no hangar. Não quero baixas. Tenho uns amigos neste ramo, não quero surpresas.

Já adianto a pesquisa dos contratos?

Sim, isso vai ser logo. A gente não vai criar a demanda, mas vamos nos preparar para atendê-la.

Falando nisso, alguma demanda local para encaminhar?

Aproveita aquele esqueleto lá em Itaboraí, aqueles tanques sem uso no Comperj, e enche com toda a gasolina que você puder comprar… não importa de onde, compra…

Mas isso não vai chamar atenção? Já estão falando da invasão da Ucrânia desde janeiro…

Um pouco… mas faz o seguinte: cria uma situação maluca no Big Brother… sei lá, santifica um safado lá qualquer, para distrair a atenção do povo…

Será suficiente, chefe?

Se não for suficiente, pensa em algo mais absurdo – pega aquele pessoal dos Casos de Família, e cria uma situação que chame atenção… traição em via pública, algo que monopolize a atenção… eu quero é essa gasolina lá, para nós podermos escoar, quando o preço disparar…

Posso meter um mendigo e um personal trainer na história?

Pode.

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Encontros com o mestre – Tudo é útil

Era um lugar diferente dos habituais.

Já me habituei a vivenciar experiências com o mestre nos mais diversos cenários.

O belo, o feio, o alto, o baixo, o ontem, o amanhã…

Muita sujeira, muita poeira, pouca visibilidade, um cheiro ruim…

Antes que eu perguntasse qualquer coisa, o Mestre falou:

É na Terra, mesmo.

E…

Desta vez ele nem fez aquele suspense de cinema, como se quisesse que eu chegasse sozinho à conclusão…

Lembra daquela montanha bonita, onde o rio fazia uma curva, percorrendo dois leitos e criando uma ilhazinha entre eles?

Sim. Rimos muito neste local, dando nomes a cada braço deste rio… homenagem a um amigo que era muito enrolado… dava voltas para chegar ao mesmo lugar…

Na caminhada, vemos muitos caminhos, pessoas, sentimentos, experiências.

Sim, a riqueza vem da interação – já escutei esse puxão de orelha…

Bom você não esquecer, mas não é sobre isso que falaremos hoje.

E o que é?

Veja este lugarzinho bem desagradável. Olhe bem.

Eu sou um homem de origem modesta. Já estive em lugares feios. O que quer destacar?

Que na vida encontramos modelos de quem queremos ser, do que queremos vivenciar, de onde queremos estar…

Sim. Eles nos dão perspectiva, esperança… às vezes, até alento…

Mas também conhecemos lugares desagradáveis, pessoas ruins, experiências dolorosas…

E…

Os dois tem serventia.

O querer vive nos sonhos. O não querer abre os olhos.

Agradeça pelo que tem ou teve, mas não tenha receio de pedir explicitamente ao universo o que você quer.

Pois pelos passos naturais do crescimento ou por motivos não tão nobres, as pessoas podem um dia acordar sem incluir você nos planos delas.

E aí, você anda.

Pois tanto o sol como a neblina cegam; mas ambos têm utilidade para você.

Confia. Sempre.

E o Mestre fez um gesto com a mão, e o vento afastou a poeira, e mostrou um belo campo, em uma colina mais a frente.

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Crônicas da Vida: Dito certo ou errado, melhora é melhora

 

Recebi um ultimato do meu endocrinologista, em fevereiro/2021.

Se ao voltar com ele, os indicadores de açúcar estivessem ainda altos, iríamos começar a considerar a possibilidade de iniciarmos com injetáveis.

Fiz a única coisa possível neste cenário: cancelei o retorno de maio, adiando para agosto.

Como vi que tal ação me dava tempo, mas não seria suficiente para resolver a questão, me matriculei em uma academia.

Sempre andei muito. 

No ensino médio, eram trinta minutos de caminhada de casa até a estação de trem.

Todos os dias, de segunda a sábado, ida e volta. De mochila e calças compridas.

Até hoje é assim – mesmo com um “ligeiro sobrepeso”, caminho boas distâncias sem sobressalto.

Então, com meus três quilômetros na esteira, eu achei que estava “abafando“.

Perda de peso… nada. 

Mas como me disse minha caçula Gabriela, “o senhor está ganhando massa muscular”.

Um anjo motivador, essa minha filha.

Aí falei para minha filha Amanda, todo empolgado, que estava andando três quilômetros todo dia… 

Dava quase uma hora, na velocidade de 3,6 Km/h, mais aquecimento e “esfriamento” (cool down, não sei a tradução mais adequada…).

Foi quando ela me disse que nesta velocidade eu não estava “queimando” nada. 

Fui ler mais e vi que abaixo de 4,8 Km/h, é nada mesmo…

Comecei a aumentar um pouco… um pouco… um pouco mais…

Em um dia, eu estava em 5,4 Km/h, e disse para mim “hoje chego a 6 Km/h, nem que seja por uns dez segundos…

Nessa hora, na minha playlist aleatória do Deezer, começa a tocar o tema de Missão Impossível…

Temos que ouvir o Altíssimo: os 6 Km/h ficarão para outro dia.

Todo dia minhas filhas me davam a maior força, mas vez ou outra Amanda citava que eu precisava “fazer um treino”.

Já dormia melhor, já comia melhor, me sentia bem, mas o peso só variava em função de eu estar usando usando short ou bermuda…

Ganho de massa muscular, sem dúvida… 

Mas resolvi tocar a frente a ideia do treino.

Comecei a fazer, com orientação do professor.

No primeiro dia, eu comecei a pensar que os injetáveis não eram tão ruins assim…

Doía tudo – do músculo do pescoço até a planta dos pés.

Mas perseverei. Estou nessa, há pouco mais de um mês.

Treino alternado com cárdio.

Por sinal, o cara que inventou o elíptico, deve estar ardendo na chama do inferno…

Mas, toca o barco…

Em agosto, seis meses depois da consulta anterior, voltei com o endocrinologista, com exames atualizados.

Nunca tinha sido elogiado por um médico antes; fiquei até emocionado.

Nada de injetáveis, indicadores bem melhores, melhora no quadro geral.

Não houve perda significativa de peso – tudo bem, é ganho de massa muscular…

Meu pai estaria orgulhoso de mim, creio.

Ele sempre teve um jeito muito peculiar de falar.

Algumas palavras, ele simplesmente não conseguia dizer.

Sanduíche era uma delas – saía algo parecido com “senduísse”.

Outra, era FIAT, a marca de automóveis – era FÍET, não importa o quanto eu ensinasse…

Às vezes, estou na academia, e parece que ouço ele falar: “E aí, Tá-Zã?

Tarzan era outra dessas palavras “difíceis”…

 

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