Diário de um mafioso – Intervenção no Rio

061. Brasília. Linha segura.

Fala, Conde.

Conde? Ah, tá… entendi… você não respeita ninguém…

Não é isso… com apelidos, não corro risco com as interceptações… aprendi com o Marcelo…

O Silva ?

Não, o Odebrecht… Com o Silva eu aprendi a dirigir carro velho, mas isso é outra história…

Outra hora você me conta… O Pé Grande me ligou: ele pediu arrego lá no estado dele…

Decreta intervenção.

Não! E eu lá quero cuidar daquilo…

Faz parcial; bota alguém na segurança e deixa ele cuidando do resto…

E pode?

Conde, são vocês que fazem as leis… e se for para a justiça, o João Plenário resolve…

É verdade, é verdade… E quem eu boto?

Bota um general. Lembra do Cerqueira? Era tio de um amigo meu, e tudo funcionava bem…

E o Cara de Bolacha, o que eu faço com ele? Ele já tinha até recebido dinheiro da Globo para pautar a reforma da Previdência…

É, vai ter que parar… ele vai dar um chilique, mas aceita… só não chama ele de Bolacha. Na terra dele, é Biscoito…

Tá certo, tá certo…

Chama o pessoal, explica tudo é decreta a intervenção amanhã.

É, vou fazer assim. Obrigado.

Isso. E não te preocupa. Só me faz um favor, Conde.

Pode falar.

Usa aquela Parker que eu te dei quando for assinar o decreto.

Uso sim… eu só tenho que achá-la, pois não sei onde está…

Conde, você está com um supositório na mão?

Estou sim! Como você sabe?

Rapaz…

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