Ligação. 021. Meu associado de confiança.
Bom dia, Cara de Gato. Tudo bem?
Tudo, chefe. Mas antes de falar dos assuntos, queria saber se o senhor gostou do carro, da escolta…
Gostei, Cara, gostei… o carro era ótimo, eu conseguia até trocar as estações de rádio…
Poxa, chefe, o senhor é danado… não perdoa aquela pequena falha de 2012…
Como não perdoo? Você não está vivo, bem como a maioria dos seus parentes?
É verdade, chefe, é verdade…
E fique sabendo que eu nem achei tão ruim o rádio estar travado em uma estação só…
Quando o senhor disse que estava travado na Furacão 2000, eu me preocupei…
Pois é… entre o suave e a casa das primas, escutei essa moça que hoje canta vestida de fita isolante; achei que tinha futuro e fiz um pequeno investimento na carreira dela… já me deu um bom retorno…
Que bom, chefe, que bom… mas, e a escolta?
Os Originais do Samba? Gostei muito, gostei muito…
Ô, chefe, o senhor é danado mesmo… apelida todo mundo… Mas os nomes deles são…
Pode parar. Não quero saber. Melhor assim. Se a casa cair, não posso entregar ninguém. Quem me ensinou isso foi o Marcelo.
O Silva?
Não, o Odebrecht. O que o Silva me ensinou foi a tomar “porradinha”, mas isso é outra história…
Tá certo, chefe, tá certo…
E os recados que mandei, tudo certo?
Quase, chefe… o Zureta se confundiu com dois deles…
Como assim?
Ele entregou o do Bandeira pro Pezão e o do Pezão pro Bandeira…
Mas que droga… eu tinha dito pro Pezão se livrar dos pesos mortos… o que o Bandeira fez?
Obedeceu. Despachou o Muralha, o Márcio Araújo, o Conca…
Caramba… e o recado que eu mandei pro Bandeira, para tapar o buraco da Gávea, o que é que o Pezão fez?
Chefe, o senhor não vai acreditar, mas… ele obedeceu.
Mas como?
Difícil explicar, chefe… apenas acredite que o metrô da Gávea só fica pronto daqui a uns cinco anos…
Tá bom, depois eu vejo isso. Fica com Deus.