Dia das Crianças 2018

Dia das crianças 2018.

Na foto, Glória, Amanda e Gabriela.

Minhas crianças já não tem esse rosto. Cresceram…

Mas, para a gente, sempre parecem crianças. Coisa de pais.

E as vezes, parecem mesmo: birra, teimosia, manha, carência, essas coisas; eventualmente, até choro…

Como disse, para mim, sempre serão crianças.

Minha vó Rosália chamava meu tio Pascoal, já um homem adulto, de “neném”…

Hoje eu entendo isso, pois minha caçula Gabriela, hoje com treze anos, é tratada por mim com frequência como “meu bebê”…

Se você não quer ter filhos, tudo bem. Viva bem e feliz.

Se você curte seus sobrinhos, tudo bem. Terá muitas experiências interessantes.

Se você interage com crianças no seu núcleo religioso, tudo bem. É nobre e altruísta.

Se você pensa em ter filhos, pode fazê-lo e tem uma companheira ideal para esta aventura, tenha quando achar que já é hora.

Mas, se você já tem seus filhos, e eles ainda estão ao alcance dos seus abraços e beijos, curta-os muito.

Tudo passa muito rápido, e cada dia dessa jornada maravilhosa é um espetáculo que estreia todo dia.

E o preço desse show vale cada minuto vivido nele.

Obrigado a Deus por me permitir viver esse sonho, a minha esposa Márcia por estar nessa jornada comigo, e também para as meninas, que de alguma forma, toparam participar dessa conosco…

Sabendo estar longe da perfeição, fazemos o que podemos.

A fase de ser um super-herói para elas já passou.

Muito provavelmente – nem pergunto… – estão agora na fase de não nos achar grande coisa. Mas isso passa.

Espero ainda estar por aqui quando elas entenderem na plenitude que somos apenas humanos e que nos esforçamos para fazer o melhor.

Meus pais foram me dando muitas coisas. No começo, a vida; depois, comida. Mais adiante, já sem minha mãe – levada por Deus – meu pai me deu estudo.

Seguiu, com firmeza moral, me dando referências.

Com frases objetivas, segurança.

A cada progresso, mais confiança.

Depois de um certo tempo, reconhecimento.

Ao final, me dava perspectiva.

Sempre achei que os filhos devem ser melhores que os pais. Em todos os aspectos possíveis.

Ainda tem muito a crescer e aprender, mas as meninas já estão fazendo sua parte.

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Diário de um mafioso – Mimos aos candidatos

“…e a mercadoria chegou bem da Alemanha, chefe”.

“Perfeito, Cara. Já ajeitei isso. A BMW vai sair com um recall sem necessidade, e a gente vai escoar tudo a partir do dia 24. Algo mais?”

“O senhor pediu para lembrar o senhor de mandar alguns presentes para os candidatos.”

“É verdade, é verdade… pro Mito é padrão, manda uma cesta de frutas, que já, já, ele está comendo…”

“E para a Ambientalista?”

“Manda um cartão de Vale-Refeição carregado para uns dois meses… eu gosto dela, mas ela parece estar sempre com fome…”

“Para o Coronel?”

“Mande Pat Pula-Pula passar no hotel dele.”

“A Pat, chefe? Ele já tem 60 anos…”

“Não se preocupa. Ele já disse que a melhor utilidade das Patrícias é dormir com ele… de qualquer jeito, ele fica satisfeito…

“Tá bom, tá bom… e o Crente?

“O Pinel ainda funciona? Diz para ele que é um retiro e manda ele para lá pelo menos até a eleição… quem sabe, ele melhora…

“E para o Poste?”

“Para ele, nada. Mas mande uma caixa de 51 para Curitiba, que é o cara de lá que manda mesmo…”

“O povo tá dizendo que depois do lulopetismo, ele patenteou de vez o lulopostismo…”

“Ha ha ha… o povo não tem jeito… alguém mais, Cara-de-Gato?”

“O Sapo.”

“Manda um DVD da Flauta Mágica. Ele vai achar que a referência a Mozart é por causa da cultura dele, mas ele é a cara do Pufnstuf…”

“Cara de quem, chefe?”

“Você não teve infância… deixa pra lá, Cara, e só encaminha o presente. Quem mais?”

“O socialista.”

“Encomende um livro de receitas para eles, e adiante o pagamento. O livro pode acabar ficando ruim, mas o nome vai ficar engraçado…”

“O Santo.”

“Esse é difícil… esse a definição viva de insípido… é isso: manda um dicionário para ele.”

“O Banqueiro.”

“A Beuttenmüller ainda está na ativa? Se estiver, marca um horário para ele, que essa fono dele não está ajudando…”

“Como o senhor disse para ignorar os outros, só falta o Milionário.”

“Difícil, esse… o que dar para alguém que já tem praticamente tudo? Tem que ser algo que ele não tenha … já sei: manda um boleto da Riachuelo. Vencido.”

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Diário de um mafioso: Peças no tabuleiro

Movimento 1.

“Fale, Mão Leve! Estou te esperando na quinta, com um quarto de boi e algumas grades, para vermos o massacre, digo, debate com o Mito na Globonews.”

“Pois é, chefe, só consegui voo na sexta, para ir lá entregar para o Homem Laranja a medalha do matemático… vou fazer escala aí, e adorarei passar com o senhor, mas só na sexta-feira…”

“Falando nisso, que encomenda esquisita, hein? Ainda bem que no Rio o pessoal nem estranha mais nada…”

“Pois é… ele pediu pro filho dele… o pivete não vai dar pra nada, igual aos outros, mas ele queria muito um “Nobel de Matemática”, então o pai encomendou… falando nisso, obrigado pelo senhor ter autorizado este “bico”… ele pagou bem…”

“É, ele sempre paga… bem, uma pena… a gente faz outra coisa, na sexta, para ser divertir. Um abraço.”

Movimento 2.

“Chefe, sou eu”

“Não morre mais! Estava falando em você há pouco! O que é?”

“O senhor viu o time que vai entrevistar o Tiro Come? E a pauta que o senhor conseguiu vazar para mim? Tem palavra ali que eu nem conheço… eles vão me matar! Tô desesperado! O que eu faço?”

“Deixa chegar perto, ali pela véspera, e diz que não pode ir, por compromissos de campanha. Eles são todos organizados, tudo marcado antes para todo mundo, hotéis, voos, agendas, não vão ter como te remarcar. E ainda tem o outro candidato, o Insípido, que teria que aceitar tapar o buraco. Ele não vai aceitar, eles são todos pavões… Aí você pede desculpas, diz que está a disposição e nunca mais aceita o convite.”

“Puxa, é isso mesmo… o senhor é sábio, mesmo… vou fazer isso…”

Movimento 3.

“Cabeçotti?”

“Não me chama assim… é feio caçoar de defeito físico… e minha cabeça nem é tão grande assim…”

“Pare com isso, Cabeçotti… você vive no meio desse povo em Brasília… sabe que eu não faço por mal, é que não gosto de usar nomes reais… mas, vamos ao que interessa: o Mito vai amarelar. Fonte segura. Vai logo ajeitando com o pessoal do canal uma mudança de agenda, pois ele vai deixar para última hora para ferrar vocês.”

“Aqui tudo bem, eu ajeito tudo, mas o Insípido vai aceitar a permuta? Eles são todos super vaidosos…”

“Deixa comigo.”

Movimento 4.

“Insípido?”

“Esse apelido é ruim… se pegar, o povo nem sabe o que significa… o senhor quer me enterrar de vez? Eu já tô com 1%…”

“Deixe isso pra lá. Vão te oferecer uma troca do dia na sabatina, pois o Mito vai amarelar. Você aceita. Você vai sair de salvador, valente, destemido, e tudo mais… diz logo para a primeira dama mandar passar seu terno… como você vai ajudar, eles vão pegar leve com você… eles vão até fingir que acreditam quando você disser quem em breve qualquer um vai poder pegar o metrô em Guarulhos e descer na Avenida Paulista…”

“O senhor acha que é melhor assim, vou fazer”.

Movimento 5.

A apresentadora anuncia a mudança de agenda, antes de sabatinar o Tiro Come.

Movimento 6.

“Mão Leve? Meu filho, não sei como, mas a entrevista do Mito passou para sexta! Pode vir, que a gente vai se divertir muito, regado a um bom churrasco e muita cerveja! Estou te esperando!”

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Encontros com o Mestre – Crianças na praça

Ele estava em uma praça, em um final de tarde como tantos outros. A seu lado, o Mestre o olhava, como se esperasse a pergunta.

E ele perguntou: “Já faz um tempo, não é? Por onde tem andado? Tem estado ocupado?”

Sempre estou acessível. Basta você precisar de mim. E parece que você tem achado que não precisa muito…

“Jamais” – ele disse – “eu só tenho andado ocupado com questões práticas, bem como tenho tido um período tranquilo…”

E disse o Mestre: “Por isso, estamos aqui. Quero te mostrar uma coisa. Olhe para as crianças na praça.

Ele olhou. Elas brincavam despreocupadas, descendo nos escorregadores, se pendurando nas barras, rolando pela terra. Despreocupação e alegria na sua forma mais genuína.

E ele disse: “Tranquilas e felizes. Qual é o ponto, Mestre?”

Olhe para os pais delas“, disse o Mestre. “Mesmo quando as crianças acham que não precisam deles, eles não param nunca de observá-las. A cada passo que elas dão, para cada direção que tomam. Leem, desfrutam do sol da tarde, mas nunca param de zelar pelos seus filhos. Mesmo que os filhos não percebam. Ou achem que não precisam.

Nesse momento, um choro de criança se destaca. Ele olha e vê a criança já nos braços da mãe, que foi buscá-la, separando-a de uma confusão com outra criança.

Ela passa ao lado dele, e ele ouve a mãe falando com a criança: “Perdoe sua amiguinha; ela machucou você, mas não sabe bem o que faz… ela é uma criança, igual a você… erra, pois ainda está aprendendo…”

E de repente, começou uma música. Música terrena, conhecida, mas que ele compreendeu de forma anormal, como se fosse a língua nativa dele.

I’ll keep your secrets
I’ll hold your ground
And when the darkness starts to fall
I’ll be around there waiting
When dreams are fading
And friends are distant and few
 
Know at that moment I’ll be there with you
 
I’ll be around
When there’s no reason left to carry on
And every dream you’ve ever had is gone
And the dark is deep and black without a sound
And every star has been dragged to the ground
Know at that moment I will be around
Know at that moment I will be around

E o mestre apontou para longe. A distância, com o sol ao fundo, vê-se a silhueta de uma mulher acenando. A seu lado, uma figura com formas indefinidas – como se fosse um desenho borrado. Mesmo assim, familiar.

E algumas lágrimas desceram de seus olhos. Mas não era tristeza desta vez. Era alento e esperança.

Neste momento, o Mestre botou a mão em seu ombro – “É cedo para isso. Mas se eu sempre estou aqui, imagine as pessoas que você ama de verdade…

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Diário de um mafioso – Recados Trocados

Ligação. 021. Meu associado de confiança.

Bom dia, Cara de Gato. Tudo bem?

Tudo, chefe. Mas antes de falar dos assuntos, queria saber se o senhor gostou do carro, da escolta…

Gostei, Cara, gostei… o carro era ótimo, eu conseguia até trocar as estações de rádio…

Poxa, chefe, o senhor é danado… não perdoa aquela pequena falha de 2012…

Como não perdoo? Você não está vivo, bem como a maioria dos seus parentes?

É verdade, chefe, é verdade…

E fique sabendo que eu nem achei tão ruim o rádio estar travado em uma estação só…

Quando o senhor disse que estava travado na Furacão 2000, eu me preocupei…

Pois é… entre o suave e a casa das primas, escutei essa moça que hoje canta vestida de fita isolante; achei que tinha futuro e fiz um pequeno investimento na carreira dela… já me deu um bom retorno…

Que bom, chefe, que bom… mas, e a escolta?

Os Originais do Samba? Gostei muito, gostei muito…

Ô, chefe, o senhor é danado mesmo… apelida todo mundo… Mas os nomes deles são…

Pode parar. Não quero saber. Melhor assim. Se a casa cair, não posso entregar ninguém. Quem me ensinou isso foi o Marcelo.

O Silva?

Não, o Odebrecht. O que o Silva me ensinou foi a tomar “porradinha”, mas isso é outra história…

Tá certo, chefe, tá certo…

E os recados que mandei, tudo certo?

Quase, chefe… o Zureta se confundiu com dois deles…

Como assim?

Ele entregou o do Bandeira pro Pezão e o do Pezão pro Bandeira…

Mas que droga… eu tinha dito pro Pezão se livrar dos pesos mortos… o que o Bandeira fez?

Obedeceu. Despachou o Muralha, o Márcio Araújo, o Conca…

Caramba… e o recado que eu mandei pro Bandeira, para tapar o buraco da Gávea, o que é que o Pezão fez?

Chefe, o senhor não vai acreditar, mas… ele obedeceu.

Mas como?

Difícil explicar, chefe… apenas acredite que o metrô da Gávea só fica pronto daqui a uns cinco anos…

Tá bom, depois eu vejo isso. Fica com Deus.

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